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2006

 

Garrotes

 

Os trabalhos Garrotes acontecem em uma atmosfera onde tragicamente, para o bem e/ou para o mal, nos vemos lançados no mundo. Esta é a grande dor e a grande força da vida.

 

O homem contemporâneo, protótipo do homem dilacerado, tem a ambigüidade trágica na base do enigma de sua existência. Dialoga em perfeita igualdade com o Édipo da Tragédia Grega.

 

Como o pensamento formal ocidental, o discurso científico, o pensamento da identidade, ainda a grande estrela, não foi suficiente para responder pela interioridade humana, buscou-se nos pré-socráticos subsídios para o entendimento desta interioridade perdida. Formulou-se então um novo pensamento, o pensamento da diferença. Não se trata de uma recusa ao pensamento conceitual, mas da aceitação da  diferença. Não se deseja mais, em nome da ciência, perder a singularidade, a mundaneidade, a poesia.

 

No núcleo do pensamento da diferença encontramos o trágico, aquele que tem, na sua formação, o indizível, o inantecipável, o recorrente, o incontrolável. É a emergência deste pensamento impossibilitado de ser reprimido que induzirá ao processo criativo,

ao novo. 

 

Pensando o trágico, o ser humano não pode ser definido ou descrito, ele é um enigma cujos duplos sentidos ainda estão por serem decifrados. A consciência dilacerada, o duplo, o herói e o vil, ambos pertencem a você. Há uma razão na loucura, há uma loucura na razão. Este é o lugar do trágico, do inordenavél que nos escapa e nos apavora. O homem não é totalmente inteligível, escapa da racionalidade, está no lugar do acaso puro. No trágico, a dor e a alegria estão coladas.

 

O trágico para mim pode ser expresso em uma imagem de uma porta para um caminho iluminado. Este caminho, apesar de iluminado e resplandecente, não mostra o fim do túnel, pelo contrário, trás a consciência do incontrolável, da impotência da condição humana.